O
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou na noite deste domingo (30) que o
número de eleitores que não compareceram às urnas no segundo turno das eleições
municipais, somado aos votos brancos e nulos, foi de aproximadamente 10,7
milhões de pessoas.
O
número, segundo o tribunal, corresponde a 32,6% dos 32,9 milhões de eleitores
aptos a votar neste domingo. No segundo turno das eleições municipais de 2012,
a proporção foi menor, de 26,5%.
O
total de abstenções foi de cerca 7,1 milhões de eleitores (ou 21,55% do
eleitorado). O número de votos brancos ficou em aproximadamente 936 mil. Os
votos nulos somaram 2,7 milhões.
Na
avaliação do presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, há um “estranhamento”
entre o eleitor e os políticos que o representam. “Alguma coisa se traduz nessa
ausência ou também na opção pelo voto nulo”, disse, em coletiva de imprensa.
Mendes
ponderou que não se deve supervalorizar o número de ausentes, já que
“impropriedades” podem ser encontradas na contagem dos eleitores. “Onde tem
biometria, temos índice menor de abstenção. Pessoas que mudam de cidade sem
mudar o domicílio eleitoral, isso acaba contaminando os dados”, afirmou.
De
acordo com o ministro, o cadastro da Justiça Eleitoral não exclui eleitores que
faleceram desde maio deste ano. “Não está atualizado”, explicou Mendes.
Para
o presidente do TSE, é equivocada a avaliação de que o elevado índice de
abstenções se deve ao fato de o voto ser obrigatório. “Não há dificuldade para
se fazer justificativa. A multa que se aplica é quase simbólica, está em R$ 3”,
afirmou.
Para
ele, tornar o voto facultativo no país seria como “checar se tem gasolina no
tanque acendendo o fósforo”. O ministro usou como exemplo o Chile, onde o voto
deixou de ser obrigatório e que registrou elevadas taxas de abstenção nas
últimas eleições.
Classe
política
No
primeiro turno, o alto índice de abstenções e votos anulados causou repercussão
entre os principais políticos do país. O presidente da República, Michel Temer,
chegou a afirmar que o número era um recado da população à classe política.
Já
o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a prioridade do
Congresso deveria ser uma reforma política “profunda”. Para ele, caso os parlamentares
não aprovem mudanças no sistema eleitoral, a política vai se desgastar cada vez
mais.
