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Brasil,
Brasília, DF. 23/11/2007. O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, discursa
durante convenção nacional do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira),
em Brasília, Distrito Federal. – Crédito:DIDA SAMPAIO/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo
imagem:35233
O
mundo está passando por mudanças radicais em todos os setores. As pessoas estão
mudando a forma dos relacionamentos, a forma de encarar o mundo e, principalmente,
a forma de votar, nos países onde existe regime democrático na escolha dos seus
líderes políticos.
O
tsunami do pensamento contrário aquilo que é populista é verdadeiramente
revolucionário. No Brasil, a classe política que se aproveitou durante décadas
de valores como boa aparência, romantismo, boa oratória, saudosismo,
assistencialismo e fabricação midiática de personalidades corre sérios riscos
de desaparecer.
O
momento é outro. O mundo mudou e vai mudar ainda mais, numa velocidade muito
rápida.
Um
político paraibano que, apesar do seu tamanho, deve sentir isto duramente nas
próximas eleições é o atual senador pelo PSDB da Paraíba, Cássio Cunha Lima.
Habituado
a fazer campanhas políticas com apelos predominantemente emotivos, com frases
de efeito pré-fabricadas, muitos beijos e abraços, Cássio terá que se adaptar
nas próximas eleições, se é que será candidato a algo majoritário, a trazer
projetos e propostas de trabalho verdadeiramente possíveis de execução e que
possam resolver os problemas sociais de forma objetiva, que não são poucos.
As
pessoas estão decidindo optar por aqueles nomes que tenham trajetórias
vitoriosas, representadas por trabalho duro e muita técnica. E os exemplos
estão aí, somente para citar alguns nomes: Ricardo Coutinho, que conquistou a
Paraíba, Romero Rodrigues, que venceu em Campina com sobras – apresentando um
perfil muito mais técnico e menos político, o empresário João Dória, em São
Paulo e até mesmo, num exemplo mais global e recente, o mega empresário
norte-americano Donald Trump.
As
dificuldades para os políticos profissionais como Cássio são tão explícitas
que, nestas últimas eleições municipais teve sua imagem e vinculação quase que
totalmente evitada ao lado dos seus aliados, principalmente nos grandes colégios
eleitorais, para não correr riscos de comprometer os resultados.
Cássio
já foi deputado federal por dois mandatos, prefeito de Campina Grande por três
vezes, superintendente da Sudene, governador da Paraíba por duas vezes e atual
senador da república. Dessa forma, carrega também, inevitavelmente, uma parcela
da culpa dos problemas sociais do estado que quando esteve no poder não
conseguiu solucionar, nem tampouco projetar um horizonte que pudesse minimizar
a questão, como por exemplo a crise hídrica em Campina Grande.
Não
somente Cássio, mas toda a família Cunha Lima que queira disputar cargos
majoritários, a partir de agora tem que ser – zero poesia, zero beijo e abraço
e zero frases feitas. As ideias que irão expor tem de ser plataformadas em cima
das demandas reais da sociedade, com sugestões de soluções administrativas
minimamente executáveis, com métodos e técnicas claras.
Jornalista
MILTON FIGUEIREDO – OPINIÃO
