A
presidente deposta Dilma Rousseff não pensa em voltar à política. Em vez disso,
defende o retorno de seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Lula,
ao poder. "Eu não penso em voltar à política. Penso que o grande
presidente para o Brasil é Lula", declarou, em entrevista ao jornalista
Luis Novaresio, do portal argentino Infobae (confira aqui), durante sua
passagem por Bueno Aires.
Dilma
compara sua situação de vítima de um golpe parlamentar com a da ex-presidente
argentina Cristina Kirchner, em quem diz acreditar "inteiramente" na
inocência. Kirchner é acusada formalmente de corrupção pela Procuradoria
Federal da Argentina e de ter cometido manobras ilegais durante sua gestão, que
teriam causado prejuízos ao país.
"Eu
acredito totalmente na inocência de Cristina Kirchner. Com ela estão fazendo a
mesma coisa que eles fizeram para mim. O meu era um golpe parlamentar. Com ela
tomou a forma de uma campanha eleitoral. Eu ganhei. Você poderia ter tido a vitória
de Daniel Scioli", disse Dilma, em referência ao candidato derrotado por
Mauricio Macri na Argentina ano passado.
Sobre
o sentimento que nutre pelos golpistas que lhe depuseram, descreve: "Raiva
pelos que me destituíram? A raiva se pode ter com quem você tem relações
estreitas, isso implica uma certa intimidade. Não se pode ter raiva dos
traidores, apenas desprezo".
Ela
também sai em defesa do ex-presidente Lula: "Presidentes como Lula ou
Cristina, que se atreveram a gerar redistribuição de riqueza, são vistos como
inimigos pela oligarquia neoliberal. E os inimigos são destruídos". Em
referência ao golpe, avalia que "o que se passa com as oligarquias
financeiras, alguns empresários e outros setores é que eles perceberam a
oportunidade de implementar um sistema que de outra forma não teriam conseguido
impor".
Na
capital argentina, Dilma Rousseff recebeu o título de doutora honoris causa da
Universidade Metropolitana para Educação e o Trabalho (Umet).
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