A
empresária Mirelle Barbosa da Silva, esposa de um vereador da cidade de
Desterro, no Sertão paraibano, foi condenada em primeira instância a quatro
anos e cinco meses de prisão. Ela é acusada de receber benefícios do governo
federal, como o Bolsa Família e o Seguro Garantia Safra, sem se enquadrar nos
critérios dos programas.
A
denúncia partiu do Ministério Público Federal, que descobriu que a mulher
estava inscrita nos programas sociais voltados para famílias de baixa renda.
Condenada a cumprir a pena no regime semiaberto, a empresária, que recorreu da
decisão, aguarda o novo julgamento em liberdade.
O
marido de Mirelle Barbosa, o vereador Tiago Simões (PR), confirmou que a mulher
recebeu os benefícios de 29 de março de 2011 a 29 de outubro de 2013. Durante
esse período, ela teria recebido R$ 7.503 por meio dos programas sociais.
O
legislador disse que, quando começou o relacionamento com ela, não sabia que a
futura esposa tinha sido inscrita no Bolsa Família e no Garantia Safra.
"Eu só vim a tomar par da situação verdadeira no ano de 2013. Na época que
eu fui viver com ela, em 2010, eu não era vereador e nunca perguntei se ela
recebia programas sociais", contou.
Para
ele, a mulher tinha direito de ter acesso aos benefícios. "Na época, era
mais do que merecido. Até porque ela tem uma filha e o governo federal dava o
Bolsa Família a ela porque ela realmente precisava. Ela se enquadrava, só que,
quando eu fui viver com ela, o povo acha que ser vereador, com um salário de R$
1.400, é tudo. Isso é irrelevante para mim", afirmou. Mirella Barbosa não
quis falar com a imprensa.
'Tem
muita gente que precisa'
Para
ter acesso a esses programas, é preciso comprovar que precisa do benefício. No
caso do Bolsa Família, o beneficiário deve estar em situação de pobreza
extrema, com uma renda familiar mensal inferior a dois salários mínimos no ano
anterior ao da concessão do benefício.
Já
o Garantia Safra é direcionado a agricultores familiares. "É muita
pergunta, quanto paga de luz, se cozinha com lenha, quantos filhos tem na
casa", explica a agricultora Edilúcia Pereira, que é beneficiária dos
programas.
Moradora
de uma comunidade pobre do município de Desterro, ela diz que conhece muita
gente que precisa da ajuda do governo federal, mas não recebe os benefícios.
"Gente que fez o cadastro há não sei quantos anos e não chegou. Por algum
motivo, foi bloqueado. Precisa, e a gente que tá na vizinhança sabe. É
revoltante", comenta.
G1