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Tradicionalmente
esvaziada e dedicada a discursos voltados às bases eleitorais, a sessão do
plenário do Senado nesta segunda-feira (7) foi palco para discussões inflamadas
entre senadores da oposição e da base aliada do governo. O debate girou em
torno da operação Lava Jato e a última ação da Polícia Federal que teve como
alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (4).
Ao
criticar as investigações contra Lula, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ)
acabou batendo boca com senadores do PSDB. Ao afirmar que “tucano nunca gostou
de investigação no Brasil”, o petista foi interpelado pelo senador Aloysio
Nunes Ferreira (PSDB-SP).
“Infâmia”,
bradou o tucano. O senador petista continuou seu discurso afirmando que, na
época do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o país
tinha um “engavetador-geral” e a Polícia Federal realizou apenas 48 operações.
Aloysio Nunes rebateu. “Não havia uma organização criminosa comandando o
Brasil, senador.”
O
petista então citou esquemas de corrupção envolvendo o PSDB, como os casos do
“tremsalão” e do “merendão” em São Paulo. Lindbergh acusou o partido de não
fazer investigações desses casos e foi novamente interpelado por Aloysio, que o
chamou de “fanático caluniador” e o acusou de fazer um “discurso estercorário”.
“Está sujando a tribuna do Senado”, completou.
Em
um segundo bate-boca, Lindbergh dizia que o PT tem dado instruções para se
evitar confrontos entre os defensores e contrários ao governo quando disse que
há grupos fascistas que estão se aliando ao PSDB. “É só as pessoas entrarem nas
redes sociais para ver. Há grupelhos fascistas que estão juntos fazendo
alianças com setores do PSDB”, disse.
Ele
ainda acusou os tucanos de fazerem aliança com o deputado Jair Bolsonaro
(PSC-RJ), defensor da ditadura militar e conhecido por posturas truculentas em
relação ao governo.
O
senador Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB na Casa, retrucou: “E Vossa
Excelência é colado com Collor [senador Fernando Collor, PTB-AL]. O PSDB não
tem compromisso com Bolsonaro nem tem nenhum movimento fascista”. Lindbergh
respondeu. “Vossa Excelência está mentindo”, disse.
O
tucano se irritou mais. “Respeite quem lutou pela democracia. Fascista?
Fascista é a puta que pariu”, disse já fora do microfone. Após a briga, os
senadores concordaram em tirar o termo das notas taquigráficas, que fazem o
registro oficial da sessão.
LAVA
JATO
Ao
longo da sessão, Lindbergh e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusaram a
operação Lava Jato de ter o objetivo de desmoralizar o governo da presidente
Dilma Rousseff ao ter “uma conduta partidarizada e seletiva”. “É uma
investigação engajada que tem o objetivo de desmoralizar o governo, e mais que
isso: mudar o governo”, disse Gleisi.
“Eu
continuo mantendo o que eu disse. Essa força tarefa da Lava Jato está tendo uma
conduta partidarizada”, afirmou Lindbergh. O senador acusou os órgãos de
investigação de protegerem o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, que,
segundo ele, foi citado três vezes em delações premiadas no escopo das
apurações da Lava Jato.
“O
senador Aécio Neves eu cito porque esse é um dos pontos que mais nos incomodam,
a seletividade. O que aconteceu com o senador Aécio? Primeiro o Alberto Youssef
falou que tinha propina em Furnas. Não abriram investigação. Segundo, teve um
cidadão chamado Ceará, que disse que o Aécio era o mais chato para cobrar
propina. O que é que fizeram? Quando é com petistas sabe o que é que eles
fazem? Abrem uma investigação, vai para os jornais. O que houve com o Aécio? A
gente só soube quando arquivaram. Não houve vazamento do Aécio”, completou.
Os
dois petistas condenaram as ações tomadas contra Lula na última sexta (4),
quando ele foi levado a depor na Polícia Federal por força de um mandado de
condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a depor). Lindbergh chegou a
dizer que Lula foi “sequestrado”.
“O
caldeirão está fervendo. Mexer com o maior líder popular que este país já teve,
querer que ele simbolize o processo histórico de corrupção promovido pelas
elites nos 500 anos que governaram o Brasil, não será aceito passivamente. A
situação, se não tomar o caminho da legalidade, só tende a piorar. E eu
pergunto: quem vai se responsabilizar por ela?”, indagou Gleisi.
Para
Cássio Cunha Lima, a condução de Lula não desqualifica a Operação Lava Jato.
“Opiniões se houve ou não abusos, vão ter. O fato é que essas investigações têm
que ter curso, têm que ter sequência e que elas sirvam para revelar a verdade,
que é isso o que a população brasileira deseja nesse instante”, disse.
Segundo
a força-tarefa do Ministério Público Federal, que coordena a Lava Jato, Lula
foi “um dos principais beneficiários” de crimes cometidos no esquema da
Petrobrás.
O
tucano ressaltou que as instituições do país estão agindo dentro da legalidade
e das regras democráticas, o que afastaria, segundo ele, qualquer possibilidade
de seletividade das apurações em andamento.
Ele
também reclamou de ataques feitos por Lindbergh ao seu partido. “É natural que
Vossa Excelência suba à tribuna para defender o presidente Lula, o que é
absolutamente compreensível, dada a sua filiação ao PT, às suas relações
pessoais com o presidente Lula. Ocorre que toda vez, a pretexto de defender o
presidente Lula, sempre tenta atacar membros do PSDB como, mais uma vez, fez
nessa tribuna”, disse.
Blog
do Tião Lucena
