A
ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou, por meio de nota enviada à imprensa,
serem mentirosas as declarações a seu respeito atribuídas ao empresário Marcelo
Odebrecht durante depoimento à Justiça Eleitoral na quarta-feira (1º). Uma ação
movida pelo PSDB logo após as eleições de 2014 pede a cassação da chapa
Dilma/Temer.
Segundo
reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”, Marcelo Odebrecht afirmou que
destinou R$ 120 milhões por meio de caixa 2 à campanha de Dilma e Temer. O
conteúdo do depoimento está sob sigilo. A versão oficial só será divulgada após
o STF (Supremo Tribunal Federal) liberar o conteúdo das 77 delações de
ex-executivos da construtora, homologadas pela Justiça.
Segundo
fontes ouvidas pelo jornal, Marcelo teria afirmado, ainda, que a petista tinha
dimensão da contribuição e dos pagamentos e que mantinha contato frequente com
o alto escalão do governo, como Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo
Rousseff, com quem disse negociar repasses a campanhas eleitorais.
“É
mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor
Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo [que tenha] autorizado
pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois,
durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014”, afirma a nota.
Jantar
com Temer
Sobre
o presidente Michel Temer (PMDB), Marcelo Odebrecht disse no depoimento,
segundo a agência Reuters, que o empreiteiro –que está preso em Curitiba,
condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro na operação Lava Jato–
confirmou ter participado de um jantar com Temer, no Palácio do Jaburu, onde
foi tratado de contribuições para a campanha do então vice-presidente, mas
garantiu que o tema foi tratado “de forma genérica” e não houve um pedido de
doação direto feito por Temer.
O
jantar e o pedido de doações foram relatados pelo ex-diretor de Relações
Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho em delação premiada dentro da
operação Lava Jato.
Na
semana passada, em nota oficial, Temer afirmou que como presidente do PMDB,
“pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto Odebrecht” e não
autorizou que “nada fosse feito sem amparo nas regras da lei eleitoral”.
Nesta
quinta (2), a Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou,
também por meio de nota, que o depoimento de Marcelo Odebrecht confirma “aquilo
que o presidente Michel Temer vem dizendo há meses”.
Vazamentos
seletivos
A
defesa de Dilma afirma também que não é verdade que Mantega tenha sido indicado
como o representante do governo responsável por negociar os repasses para as
campanhas presidenciais: “Nas duas eleições, foram designados tesoureiros, de
acordo com a legislação. O próprio ex-ministro Guido Mantega desmentiu tal
informação”.
O
advogado José Roberto Batochio, que defende Mantega e Palocci, disse que seus
clientes não exerceram as funções de caixa de campanha presidencial.
A
nota diz ainda que “estranhamente” sempre são divulgados trechos de declarações
de maneira seletiva. “E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas
contra os artífices do golpe de 2016, que resultou no impeachment da
ex-presidenta da República.”
A
defesa de Dilma informa ainda que que todas as doações de campanhas eleitorais
de Dilma Rousseff foram feitas de acordo com a legislação, “tendo as duas
prestações de contas sido aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral”.
“Dilma
Rousseff tem a certeza de que a verdade irá prevalecer e o caráter lesivo das
acusações infundadas será reparado na própria Justiça”, diz o texto.
Leia
a nota na íntegra:
Sobre
as declarações do empresário Marcelo Odebrecht em depoimento à Justiça
Eleitoral, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff afirma:
1.
É mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor
Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a
prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as
campanhas presidenciais de 2010 e 2014.
2.
Também não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido
Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a
arrecadação financeira para as campanhas presidenciais. Nas duas eleições, foram
designados tesoureiros, de acordo com a legislação. O próprio ex-ministro Guido
Mantega desmentiu tal informação.
3.
A insistência em impor à ex-presidenta uma conduta suspeita ou lesiva à
democracia ou ao processo eleitoral é um insulto à sua honestidade e um
despropósito a quem quer conhecer a verdade sobre os fatos.
4.
Estranhamente, são divulgadas à imprensa, sempre de maneira seletiva, trechos
de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona
novas suspeitas contra os artífices do Golpe de 2016, que resultou no
impeachment da ex-presidenta da República.
5.
Dilma Rousseff tem a certeza de que a verdade irá prevalecer e o caráter lesivo
das acusações infundadas será reparado na própria Justiça.
6.
Por fim, cabe reiterar que todas as doações às campanhas de Dilma Rousseff
foram feitas de acordo com a legislação, tendo as duas prestações de contas
sido aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Polêmica
Paraíba
