A
presidente deposta pelo golpe, Dilma Rousseff, participou nesta sábado, nos
Estados Unidos, do evento Brazil Conference, realizado pela Universidade de
Harvard e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Durante quase uma
hora, Dilma falou sobre as crises política e econômica brasileiras e analisou
os aspectos que levaram o País à sua maior recessão da história.
Dilma
Rousseff afirmou que os atores do golpe subestimaram a crise política que eles
próprios criaram e agora sofrem as consequências, com um governo altamente
impopular e travado pela crise econômica. O discurso de Dilma foi centrado na
necessidade de fortalecimentos da democracia e seus valores. Para ela, só
eleições diretas vão recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento.
"A
democracia é o lado certo da história e eu acredito no Brasil. Nós precisamos
de eleições diretas. Só vamos retomar o desenvolvimento com eleições
diretas". Dilma Rousseff também se mostrou a favor do financiamento
público. "Acho que financiamento público seria extremamente pedagógico
para todos nós. O Brasil sempre melhorou quando a democracia existiu
plenamente. Todos os governos democráticos agregaram. Você pode discordar, mas
eram governos legítimos".
Lula
O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi citado por Dilma. "Me
preocupa que prendam o Lula, que tirem o Lula da parada. Ele tem nas pesquisas
38% meso com tudo que fizeram. Acho que Lula tem que concorrer, se perder é das
regras do jogo". As falas de Dilma sobre Lula provocaram reações na plateia.
Depois de uma pausa, ela afirmou, sorrindo: "Deixa ele (Lula) concorrer
para ver se ele não ganha".
PT
e outros partidos
Dilma
Rousseff reconheceu que o PT errou ao longo dos últimos anos, mas ressaltou que
a reconstrução dos valores democráticos do País passa pelos partidos. Ela
alertou para os chamados "salvadores da pátria". "Não podemos
acreditar em salvadores da pátria. Não há diálogo sem partido político.
Efeitos
da Lava Jato
Mesmo
citar especificamente a Operação Lava Jato, Dilma Rousseff criticou a
perseguição a partidos e empresas públicas, que se iniciou desde a deflagração
da operação. "Você não pode destruir um partido ou uma empresa. Que se
punam os indivíduos. O partido em si não pode ser corrupto". Dilma afirmou
que, pessoalmente, tem restrições às empreiteiras, mas "não se pode
destruir a engenharia brasileira" e reforçou que os culpados precisam ser
punidos.
A
presidente deposta pelo golpe encerro sua participação com a frase: "Eu
não tenho medo nem culpa". Sendo aplaudida.
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