A
pauta do plenário da Câmara desta semana tem oito medidas provisórias (MPs)
pendentes de aprovação pelos deputados. Entre as MPs que trancam a pauta está a
759/2016, que estabelece novas regras de regularização fundiária urbana e
rural, inclusive na Amazônia Legal, e dispõe sobre a liquidação de créditos
concedidos aos assentados da reforma agrária.
O
texto institui ainda mudanças nos procedimentos de alienação de imóveis da
União. A medida tramita em regime de urgência e foi analisada por uma comissão
mista formada por deputados e senadores. A comissão aprovou, no último dia 3, o
parecer do relator, senador Romero Jucá (PMDB-RR).
Desde
dezembro, quando começou a tramitar no Congresso, a MP recebeu mais de 730
emendas. Entre as principais mudanças incluídas pelo relator, está o chamado
direito real de laje, que permite que unidades habitacionais construídas na
mesma superfície sejam registradas com matrículas diferentes (uma casa sobre a
laje da outra, por exemplo).
O
texto aprovado pela comissão também prevê que a regularização fundiária fora do
Programa de Reforma Agrária incidirá somente sobre as áreas de até 2,5 mil
hectares, limite estabelecido pela Constituição, em qualquer tipo de imóvel. O
relatório prevê ainda a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) para aquisição de imóveis da União, a gratuidade do registro para
ocupantes de baixa renda e a possibilidade de o Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) efetuar o pagamento em dinheiro das
terras desapropriadas para reforma agrária, e não apenas com Títulos da Dívida
Agrária (TDAs).
Esta
MP é alvo de críticas de integrantes do movimento em prol da reforma agrária,
que defende que as mudanças propostas pelo governo deveriam tramitar como
projeto de lei para ter mais tempo de debate e alterações no texto. Eles
consideram que, da forma como está, a MP pode privilegiar a ação de grileiros
(pessoas que ocupam terras ilegalmente, usando documentos falsos para comprovar
a posse) e contribuir para o aumento do desmatamento de áreas preservadas.
A
reivindicação é compartilhada pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos
(CNDH), que, na semana passada, recomendou à Presidência da República que a MP
759 seja retirada da pauta do Congresso Nacional. Para a maioria dos conselheiros
do órgão colegiado responsável por promover e defender os direitos humanos, o
presidente Michel Temer deve retirar a MP e abrir um processo de discussão com
as instituições e entidades da sociedade civil ligadas ao tema.
O
colegiado considera que a medida “padece de vícios de inconstitucionalidade
formal e material” e prejudica as comunidades rurais ao modificar mais de 10
leis ordinárias aprovadas pelo Congresso Nacional, facilitando a concentração
fundiária e, assim, potencializando os riscos de conflitos agrários violentos.
Se
a medida for aprovada pela Câmara, segue para o plenário do Senado. O prazo
final para apreciação da MP no Congresso Nacional foi prorrogado de final de
abril para 1º de junho.
Dívida
dos estados
Além
das MPs, o plenário da Câmara deve tentar concluir esta semana a votação dos
destaques apresentados ao projeto de lei que trata da recuperação fiscal dos
estados superendividados (PLC 343/17). O projeto, que tramita em regime de
urgência, teve seu texto-base aprovado pelos deputados no dia 18 de abril.
Ficou
pendente a votação de 16 destaques apresentados ao projeto. A maior parte deles
pede a retirada das contrapartidas exigidas pelo governo para suspender a
dívida dos estados por um prazo de até seis anos.
De
acordo com o projeto enviado pelo governo, o plano de recuperação valerá para
os estados que estão em grave situação fiscal e que atendam aos seguintes
requisitos: mais de 70% da receita corrente líquida comprometida com gasto de
pessoal e amortização da dívida; dívida maior do que a receita e caixa
disponível menor que as despesas.
Inicialmente,
o texto vai beneficiar os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande
do Sul. Outros estados que vierem a ficar em situação de superendividamento
poderão também aderir ao plano de recuperação fiscal constante do projeto.
Os
estados também terão que reduzir isenções tributárias para 10% ao ano,
privatizar empresas estatais que prestam serviços financeiros, de energia e
saneamento e definir empresas que possam ser privatizadas para arrecadar
recursos para o pagamento de passivos.
Para
os estados aderirem, as assembleias legislativas devem aprovar leis que
aumentem as receitas e diminuam as despesas, entre as quais estão a
possibilidade de criação de previdência complementar; a revisão do regime
jurídico dos servidores estaduais para suprimir benefícios não previstos no
regime jurídico único da União; o congelamento de reajuste salariais e a
restrição à realização de concursos públicos.
Previdência
Ainda
não há previsão da data em que o plenário da Câmara vai analisar a Proposta de
Emenda à Constituição 287/16, que altera os critérios de concessão do benefício
da aposentadoria. A conclusão da votação do projeto substitutivo elaborado pela
comissão especial da reforma ainda está pendente. A expectativa é de que a
votação das sugestões de mudança ao substitutivo seja concluída na próxima
terça-feira (9).
Depois
da conclusão do voto dos destaques, se ocorrer alterações, os membros do
colegiado finalizarão o texto que seguirá para o plenário, onde o projeto pode
voltar a ser alterado por meio da apresentação de emendas e novos destaques.
O
texto aprovado pela comissão deve ser publicado no Diário Oficial da Câmara
logo após o encerramento dos trabalhos na terça. A partir daí, é contado o
prazo de, pelo menos, duas sessões para que o projeto seja encaminhado ao
plenário, o que deve ocorrer a partir do dia 15.
Nos acompanhe nas redes sociais:
Facebook (CLIQUE AQUI)
Youtube (CLIQUE AQUI)
Email: politikandopb@gmail.com
CLIQUE AQUI E CONTINUE ACESSANDO
Agência
Brasil
