Deputados
do PMDB, PSDB e de ao menos oito partidos do Centrão firmaram acordo para
incluir na reforma política o “distritão”. Pelo sistema são eleitos para o
Legislativo apenas os mais bem votados em cada Estado. A medida é apontada
pelos parlamentares como uma forma de assegurar a própria reeleição e,
consequentemente, manter o foro privilegiado em meio ao descrédito com a classe
política causado por escândalos de corrupção como os revelados pela Lava Jato.
Hoje
um candidato mais votado não garante necessariamente uma cadeira na Câmara. O
atual sistema é chamado de proporcional. Ele soma o número de votos de todos os
candidatos e na legenda e a partir daí define a quantos assentos o partido terá
direito. Os mais votados dentro da sigla são eleitos. Por isso, ocorre o
fenômeno dos puxadores de votos, como Tiririca (PR-SP), que podem ajudar a
eleger parlamentares com baixa votação.
Sem
considerar esse modelo, a ideia é apresentar a emenda do “distritão” durante as
discussões, em plenário, do texto do relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP),
a ser analisado a partir de agosto. Esse modelo pode dificultar a renovação da
Câmara e favorecer a permanência dos deputados no poder, uma vez que eles têm
recall (são conhecidos por maior parcela do eleitorado pela participação em
eleições passadas), visibilidade midiática e máquina administrativa, como
acesso a emendas que garantem verbas para obras em redutos eleitorais.
Com
Estadão
